CRÍTICA

Revista Mensal "AMÉRICA LATINA" nº2, 2002 (publicação do Instituto sobre a América Latina da Academia de Ciências da Rússia)

EXPLOSÃO MUSICAL BRASILEIRA
(Ph.D Natália Konstantinova - Diretora do Centro de Estudos Culturais)

Trechos da tradução (pela própria autora da matéria original, em russo) da matéria sobre o Trio Images.

"UMA ABERTURA INESQUECÍVEL"

A participação de músicos brasileiros no II Festival de Cultura Ibero-Americana de Moscou começou muito antes do início oficial do Festival (12 de outubro de 2001), ainda em pleno verão, durante a realização, na capital russa, de um fórum de latino-americanistas, o X Congresso FIEALC. No dia de sua abertura, no salão da sala de concertos "Akademitcheski", podia ser ouvida a atuação mágica do Trio Images. (...) tiveram a possibilidade de deleitar-se com a arte desse conjunto maravilhoso. (...) Já no dia seguinte, no Museu Central Glinka de Cultura Musical, realizou-se um concerto dos três destacados músicos brasileiros. Os que tiveram sorte de estar presentes, sentiram a magia do trio virtuoso. Mesmo agora, algum tempo depois, as impressões daquele concerto continuam vivas e provocam o desejo de partilhá-las com os leitores de nossa revista.
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O Trio Images foi criado em São Paulo, em 1999, por três músicos que, naquela altura, já eram famosos: a violinista Cecília Guida, o violista Henrique Müller e o pianista Achille Picchi. (...) Logo depois de criado, o grupo revelou sua originalidade tanto no plano instrumental quanto no respeitante a seu repertório. Contribuiu para o seu êxito, em grande medida, a excepcional compreensão mútua entre seus membros, seja humana ou profissional, qualidade imprescindível para qualquer grupo musical, mas nem sempre fácil de atingir.
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A cada vez o sucesso era tão impressionante que o novo trio passou imediatamente a ocupar um lugar no olimpo musical brasileiro, país famoso por sua rica cultura musical.
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Quando o s críticos musicais falam da singularidade do trio, têm em vista o profissionalismo altíssimo de seus participantes, a originalidade na escolha dos instrumentos e de um repertório pouco comum, o que permite revelar ao máximo as possibilidades ilimitadas de cada um desses instrumentos. Os críticos especialmente destacam a originalidade da instrumentação, feita pelos próprios músicos, de obras clássicas e modernas.
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O repertório do grupo está em permanente ampliação, uma vez que nunca se contentam com o já alcançado. Cecília Guida, Henrique Müller e Achille Picchi estão convencidos de que não existem limites para a perfeição.
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A impressão produzida pelo Trio Images poderia ver exprimida nas seguintes palavras: "gente maravilhosa interpreta música maravilhosa". Desde a primeira composição apresentada - um tango de Astor Piazzola -, o público ficou abalado pela riqueza do som e pelo virtuosismo dos músicos. Seguiram o belo tango "Avenida Paulista" e a sonata nº 5 para violino e piano, de Cláudio Santoro.
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Para o concerto em Moscou, os músicos brasileiros escolheram composições de Villa-Lobos pertencentes a vários gêneros: "Melodias Infantis", na transcrição de Picchi; e "Bachiana Brasileira nº 5", do ciclo provavelmente mais famoso do compositor, na instrumentação de Müller. Também o público ficou conhecendo um trio de autoria de B. Blauth (também na orquestração dos três músicos) e uma suíte do compositor A. Harutunian.
O concerto do Trio Images tornou-se uma espécie de diálogo musical entre diversas culturas, ao confirmar mais uma vez que a linguagem da música não apenas prescinde da tradução para ser compreendida, mas até mesmo contribui para que se alcance um nível de compreensão mútua e de harmonia espiritual que dificilmente pode ser conseguido em outras esferas da convivência humana.

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